O que é que a minha ausência te diz? O que é que vês nos meus olhos? O que é que pensas que sou? Como pensas que estou? O que é que achas que eu penso quando te digo que aceito o teu mundo?
Já estou destruída e não sei por que caminhos ando. Já morri outra vez. Agora não sei como reagir. Não sei onde é que posso ir buscar força e energia para seguir. Os erros, depois de feitos não há como voltar atrás. Não há perdão, não há esquecimento nem fingimento. Estão ali, garanto-te, não desaparece.
Eu podia-te contar uma história de uma menina que amou às escondidas, que lutou, que achava que tinha conseguido e perdeu. Podia inventar um conto de fadas baseado nessa história, mas tu saberias que era uma forma disfarçada de te contar a minha vida. Não vês o que perdi? Juraste que me amavas, que ficavas comigo e que te fazia feliz... Fugiste assim que pudeste. Pensei que era mais, pensei mesmo que era mais.
O amor não se apaga assim pois não? Não passa assim, de um dia para o outro, como quem acorda diferente... O que é que nos apaga? Que chama é que desvanece? Que é que nos acontece? O brilho nos olhos... onde está? O formigueiro na barriga... não o sinto.
Ainda me fazes sorrir. Chegar perto de ti, é a única coisa que preciso para sorrir.
Não há nada melhor que isso certo?
Ainda sei que te amo, ainda me encanto contigo de cada vez que passas por mim, quando olhas para mim sinto-me derreter, quando me tocas... eu sinto um arrepio no corpo. Conseguia escrever a nossa curta história num livro quase tão grande como um dicionário completo. Dava-me jeito. Às vezes, faltam-me as palavras para falar de ti. Tenho uma ferida cá dentro, que dói, que arde, que me rasga.
Incrível como tudo o que eu queria era ter-te só para mim, exclusividade. Acho que é que o que toda a gente pede mas vou fazer de conta que sou única para tentar compreender-te, para tentar aceitar que isso é uma coisa impossível de me dares. Enquanto isso, a ferida aumenta, dói mais, fica sem espaço por onde abrir mais e eu sinto-me a ir, a desvanecer. Penso em coisas que não devo pensar, atitudes que não devo ter, palavras que não devo dizer.
Faço um esforço sobrenatural para não fazer asneiras.
Impecável. Sem falhas.
Foste sempre assim nas relações, burra eu. O que é que me deu? Já ninguém é assim. Não ganhas nada, ser estranho que sou.
Morri. Acordei para reagir mas a essência foi-se de novo. Não sei por onde começar para criar uma nova pessoa. Ajuda-me