Se um dia quiseres eu conto te a verdade. Eu abro todo o jogo só para ter certezas. Eu digo-te que gostei, que senti e vivi cada palavra, digo-te que não houve um sorriso sem sentido e digo-te que nada foi em vão. Um dia, se quiseres, eu conto-te o meu arco-íris sem esconder o preto e o branco. Um dia digo-te a verdade. Um dia eu olho-te nos olhos e digo-te o que sinto. As vezes podia dizer que é fácil, podia dizer que a verdade esta sempre comigo e que não me engano. Mas eu não te minto, nunca menti. Sem querer, sem dar por mim, sem saber como nunca fugi. Estive sempre ali, ao lado, parada. As certezas servem de muito pouco, só eu as posso garantir e elas nunca dependem só de mim. Quis ter o mundo, sem nunca o pedir. Já devia ter aprendido que tenho que falar. Gritar. Dizer-te ao ouvido baixinho, em cima de uma cadeira aos gritos, ou por escrito numa mensagem tudo aquilo que eram verdades. AS MINHAS VERDADES. Aquelas que quis esquecer, ignorar, que quis fingir que não eram importantes para me sujeitar as tuas.
Estava aqui. Estou aqui. Não vou sair daqui. Estou parada. A espera. Continuo sem saber como, e ninguém me da respostas. Já não sei se as quero, se alguma vez as quis, se alguma vez as vou querer. Tenho medo das respostas que vêm dai. Não mas dês. Finge como fingiste ate agora que não me ouves, que não me vês, que não me sentes. Finge que não estou aqui e finjo que sou invisível. Quero estar perto. Quero sentir uma respiração. Um suspiro. Quero ouvir um sorriso. Quero ver uma lágrima. Quero poder dar-te a mão, dizer-te que não sai, não saio, nem nunca vou sair daqui. Estou perto, muito perto. Estou a distancia de uma mensagem ou de uma chamada de socorro. Eu viro o mundo para não te deixar mal. E fecho os olhos, respiro fundo, e tento outra vez. Tento fazer-te sentir, fazer-te ver, mostrar-te que nunca sai daqui. Dai. O lugar ao teu lado que tanto me conforta. Do qual eu não abdico mesmo quando nunca o tive. Os meus sonhos levam-nos longe. Eu levo-te longe, para bem longe daqui. Levo-te comigo. Preciso de ti 5 minutos. Só tu para mim, só eu para ti. Porque 5 minutos podem mudar uma vida, decidir cores e sabores, e mudar tudo. Tornar o preto em branco, o dia na noite, e o meu desespero que me sufoca numa vontade inútil de falar numa felicidade imenso que não tem expressão por palavras. Eram os 5 minutos da minha vida, dava tudo por esses 5 minutos, por tentar, por lutar, por querer. Sim, eu quero. Quero muito. Quero como nunca quis. Quero por não ter. Quero pelo que foi. Quero pelo que e. Quero pelo que foste e pelo que és. Quero pelo que vivemos e pelo que vamos viver. Quero.
No teu mundo eu fui gata borralheira e princesa. Fui extremos. Quando chego a esta conclusão ponho as mãos a cabeça e digo: "O que é que foste fazer a tua vida?". Repito-me. Vezes sem conta. Não tenho resposta, não há solução p enigma, não e suficiente nada do que diga. Não sou capaz de me convencer a acreditar no que era suposto. Não acredito. Grita, berra, faz o que quiseres! Não me acredito nessa forma leviana que tens de levar as coisas. O que e que guardas ai dentro? O que e q me queres dizer? O que e que ficou por contar? De que e que te escondes? Eu estou aqui. Não fugi de ti. Não tive medo. Não te questionei, não te julguei. Estou aqui. Não me vês? MERDA.
Respiro fundo. Quero desistir e tu não me deixas. A tua presença, o teu cheiro, o teu jeito... esta espalhado no ar e eu capto cada segundo em que passas. Em que possa guardar um bocadinho de ti.
Tenho uma caixa de memorias, tuas, só tuas. Não me deixa guardar nada que não te tenha. A minha memoria quer-te sempre presente. Sabe que és vida, és mundo, és luz, és cor, és alegria, és felicidade... Tens todo esse poder nas tuas mãos, que loucura. E tu não sabes, não podes saber que apenas com um estalar de dedos moves o meu mundo. E pergunto-me: "Se soubesses, era diferente?", mas eu sei que não era. Que nem que quisesses a tua força interior não te deixa e que foste embora. De vez. Já não te vejo perto, mas sei que estas cá. Nunca te vou dizer adeus, nunca te vou deixar, nunca vou ser eu a por um fim a esta historia, este filme de cinema... porque nem tudo são finais felizes, e eu não quero ter essa responsabilidade nas minhas mãos. Dou-te a minha vida, embrulhada em papel cor de rosa, para teres o poder de decidir o futuro.
E se num acto de insanidade, em que me vejo constantemente, te contar a verdade, deixar de ter coisas atadas cá dentro que nunca te disse, não vires costas. Ouve. Com atenção. Em silencio. Aprecia toda a sinceridade de um sentimento que não vais ver muitas vezes. E depois sim, vai, pensa, que eu paro aqui. Sento-me. E espero. Vou acreditar na eternidade para poder acreditar que vou esperar o tempo que for preciso. Eu espero.
Estou a tua espera. Anda.